29 maio 2017

[ Resenha ] Mrs. Dalloway | Virginia Woolf



  Olá pessoal!
  Tudo bem?
  Hoje eu trago minha resenha de um clássico que há muito tempo eu desejava ler. Confira minha opinião sobre Mrs. Dalloway, escrito  pela Virginia Woolf e publicado pela Editora Fronteira.



“Mrs. Dalloway disse que ela mesma iria comprar as flores.”
 ( Pág. 11 )

 


. Dados Sobre o livro: 

- Título Original: Mrs. Dalloway
- Autora: Virginia Woolf
- Editora: Nova Fronteira
- ISBN-13: 9788520929544
- Edição Especial da Livraria Saraiva de Bolso
- Ano: 2011
- 200 Páginas
- Tradução de: Mario Quintana
- Sinopse: “Mrs. Dalloway” conta a história de um dia na vida de uma dama de nobre linhagem — Clarissa Dalloway — casada com um deputado conservador e mãe de uma adolescente. Através de um retrato perspicaz de paisagens e sentimentos, Virginia Woolf observa a alta sociedade londrina do início da década de 1920 e conduz sua personagem a uma pungente viagem interior.




 


“... Parecia um homem bom e tranquilo; um grande amigo de Septimus,e tinha sido morto na guerra. Todos têm amigos que foram mortos na guerra. Todos renunciam a alguma coisa, quando se casam. Ela renunciara à sua casa. Tinha vindo morar ali, naquela horrível cidade.”
 ( pág. 71 ) 


Deslumbrante!

    Ler Mrs. Dalloway foi um grande desafio literário, porque é um clássico que alguns leitores  consideram uma obra desafiadora  e bem complexa. Realmente foi uma leitura desafiadora, além de ser um dos romances mais aclamados da Virginia Woolf , também é considerada uma obra revolucionária.
   Para ser  sincera, essa foi a minha segunda vez que leio Mrs. Dalloway, pois na época que adquiri o livro, estava bastante ansiosa por outra leitura e não dei atenção merecida para a história.  Dessa vez,  a  leitura de Mrs. Dalloway foi  tranquila, consegui capturar sensações e reflexões que Virginia quis proporcionar e mesmo que o enredo seja simples,  achei a obra grandiosa e  narrada de forma bem arquitetada.
    A posposta do livro é contar um dia na vida de Clarissa Dalloway. A história se passa em 1923 na cidade de Londres com Clarissa, uma socialite com uma vida muito boa, casada com um deputado Richard Dalloway, um homem muito importante e conservador.
   Clarissa está preparando uma grande festa para acontecer à noite com vários convidados importantes, aristocratas que se destacam na alta sociedade e durante aos preparativos da festa,  Clarissa decide que ela própria irá sair para comprar as flores.
   A partir deste ponto o livro desenrola durante o dia da Clarissa finalizando durante a festa, mas a narrativa é um fluxo de consciência, mostrando claramente os pensamentos de Clarissa, lembranças que aconteceu na sua juventude e fatos atuais que estão acontecendo na vida da personagem, enquanto antecede a festa.
   Além dos pensamentos de Clarissa, o livro traz os pensamentos das pessoas que Clarissa encontra ou atravessa o caminho dela sem nenhuma ligação com a personagem. Então o leitor é transportado para interior de cada personagem descrevendo os confrontos e os sentimentos reprimidos.
   Como é o caso do personagem Septimus Warren Smith, um ex-combatente da Primeira Guerra Mundial arruinado. Ele está com trauma pós-guerra e acaba tendo alucinações durante o dia.  Septimus e Clarissa não se conhecem, contudo em algum momento do enredo Clarissa fica sabendo da história de Septimus que está a beira da loucura.
    Enquanto Septimus era incapaz de sustentar a normalidade, Clarissa opta por ter a sanidade a qualquer preço. Essa diferença questionada por Virginia é fantástica!
    Septimus tem uma esposa chamada Lucrezia, uma italiana que está deposta ajudá-lo  levando aos médicos, no entanto ele já está perdido. Lucrezia é uma personagem bem interessante, bastante devotada ao marido, tentando de todas as formas, recuperá-lo da insanidade e conversando muito com ele.
    Outros personagens interessantes e merecem destaque é o Peter Walsh e Sally  Seton. Eles foram amigos de juventude da Clarissa e reaparecem na festa. Peter  está retornando da Índia e Sally está casada com um ricaço, mas encara as situações de maneira impetuosa.
    Um detalhe que achei bem estranho e tive dificuldades durante a leitura, é a falta de divisões por capítulos. Particularmente, eu gosto  de livros com vários capítulos, pois  entre eles eu gosto  de refletir  os acontecimentos da história. 
    Em Mrs. Dalloway é uma leitura direta, não tem capítulos e deixou uma sensação que a história não tem pausa para o leitor refletir os fatos. Esse detalhe foi uma surpresa porque ainda não tinha lido um livro  dessa maneira, com texto integral.
    A minha edição  é simples e de bolso. Feita pela editora Nova Fronteira  em parceria com a Livraria   Saraiva. A tradução é de Mario Quintana  e contém uma apresentação  da jornalista e apresentadora Marília Gabriela. A capa também é bem simples, confeccionada com papel cartão.  A diagramação está impecável  nas folhas  amareladas e possui um mapa da parte central de Londres na década de 1920.  
    Enfim, é um clássico que vale a pena conhecer, porém ressalto que precisa de uma  atenção especial. Ela exige uma concentração maior do leitor e pode ter certeza, a cada nova leitura de Mrs. Dalloway, o entendimento da trama é diferente e absorve detalhes  que talvez não pegou na leitura anterior. Recomendo demais. 

 


“ O que importa o cérebro , comparado ao coração?”   
( pág. 195 ) 





     Eu escolhi esse livro para fazer parte do Desafio 12 Meses Literários. Quem está participando do desafio, em Maio, precisava ler  um clássico. Escolhi Mrs. Dalloway  porque é um clássico escrito em 1925 e tinha uma necessidade de relê-lo para ter um novo entendimento da história. O desafio ajudou o livro entrar para lista de favoritos.



    . Sobre a escritora:

      Estreou na literatura em 1915 com um romance (The Voyage Out) e posteriormente teria realizado uma série de obras notáveis, as quais lhe valeriam o título de "a Proust inglesa". Faleceu em 1941, tendo cometido suicídio. Virginia Woolf era filha do editor Leslie Stephen, o qual deu-lhe uma educação esmerada, de forma que a jovem teria frequentado desde cedo o mundo literário. Em 1912, casou-se com Leonard Woolf, com quem funda, em 1917, a Hogarth Press, editora que revelou escritores como Katherine Mansfield e T.S. Eliot. Virginia Woolf apresentava crises depressivas. Em 1941, deixou um bilhete para seu marido, Leonard Woolf, e para a irmã, Vanessa. Neste bilhete, ela se despede das pessoas que mais amara na vida, e se mata de forma triunfante.

     
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