15 maio 2017

[ Resenha ] Nada Consta | Danilo “Japa” Nuha



   Olá pessoal!
   Tudo bem?
   Hoje eu trago a resenha do livro Nada Consta escrito por Danilo “Japa” Nuha e publicado pela Geração Editorial.


 “ Eu era nada mais que um jornalista desempregado que tinha se tornado vendedor de livros. Mas a merda de  ontem nem se comprar à bosta de hoje.” 
 ( pág. 16 )




. Dados Sobre o Livro:

- Autor: Danilo “Japa” Nuha
- Editora: Geração
- 1ª Edição
- Ano: 2016
- 168 páginas
- ISBN: 978-85-8130-371-0
- Sinopse: “Este livro – romance, memórias, aventura mágica? – de Danilo “Japa” Nuha é um livro de ladrão, pulador de muros. É a história de um vendedor de livros e discos do Beco das Garrafas, em Copacabana, Rio de Janeiro, que começa a narrar sua vida a partir da infância, quando foi largado, ainda bebê, no boteco de um casal de japoneses em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul e a partir daí não para mais. De jornaleiro e balconista de botequim no Mato Grosso do Sul a operário de fábrica e aspirante a bandido no Japão aos 16 anos; contrabandista em Bali; jornalista em Tokyo aos 25 e, finalmente, de volta ao Brasil, onde vive encontros surpreendentes junto a grandes artistas, como Milton Nascimento, João Donato, Paulo Moura, Roberto Carlos, Emílio Santiago, Criolo, Racionais MC´s, Hermeto Pascoal, Banksy e Almir Sater, entre outros. Ficção? Realidade? Só lendo para entender.” 




“ - Agora, no seu caso, você é um idiota duas vezes! Pois além de ter sido0 preso, ainda fumou uma planta que era macho!  Qualquer imbecil que não sabe nada de maconha vê aquelas fotos e já consegue perceber isso!” 
( pág. 75 )


Bom!

      Sabe aquele livro que desperta interesse pela capa por conter alguma informação que chama a atenção? Foi dessa maneira que Nada Consta chegou às minhas mãos, pois na capa informa que o livro traz a incrível história de um bebê abandonado na porta de um boteco em Campo Grande que virou operário e vendedor de drogas no Japão.
      Além disso, também tornou-se contrabandista em Bali, transformou-se em jornalista e boêmio em Copacabana. Tudo indicava ser uma biografia forte.
      Com uma narrativa crua e direta  Danilo Nuha começa contando a história quando chegou ao Rio de Janeiro em 2009, alugando um quarto em um sobrado no morro Pavão-Pavãozinho e arrumando trabalho como vendedor de livros e discos no Beco das Garrafas.
      Esse foi o ponto de partida para Danilo relatar vários acontecimentos da sua vida, a partir do momento que foi deixado  no balcão  de um boteco na rua Sete de Setembro, em  Campo Grande, Mato Grosso do Sul e foi adotado pelo casal de japoneses.
      Na época, havia um cartório perto do bar e o escrivão tinha costume de ir ao bar durante a tarde. O escrivão instruiu a Dona Setsuco, mais conhecida como Dona Isabel, todos os procedimentos e ela conseguiu registrar Danilo como filho legítimo do casal.
      Danilo morou com a família até adolescência e foi por volta dos dezesseis anos que viajou para Japão para trabalhar em Hiroshima como operário em algumas empresas, mas mostrou para Danilo um lado obscuro do Japão. Acabou envolvendo com contrabando de mercadorias e tráfico de drogas.
      Cansado da vida conturbada onde tinha feito praticamente de tudo em solo japonês, retornou ao Brasil, terminou a faculdade de comunicação e conseguiu uma vaga de trabalho no jornal Brasil Shimbun. Em 2006, voltou para o Japão como jornalista profissional com a carreira no auge como correspondente em Tokyo, conhecendo várias artistas brasileiros. 
      Apesar de ser um livro fino, com poucas páginas e rápido de ser lido por causa da narrativa espontânea, Danilo consegue contar várias  histórias. Destacando o ponto mais alto com a melhor posição profissional até o declínio, onde é denunciado e perdeu o visto de jornalista.   
     Confesso que gostei do livro, principalmente nos trechos que Danilo está no auge da carreira de jornalista entrevistando e conhecendo muita gente influente, porém infelizmente as memórias contadas por Danilo não estão em ordem cronológica.
     Elas são alternadas em capítulos que mostram a fase adulta, no outro capítulo volta no tempo da infância e logo em seguida Danilo está em outra fase da vida. Particularmente, eu prefiro seguir a ordem cronológica, conhecendo as histórias e os motivos que fez a pessoa escrever suas memórias com vários altos e baixos.
    Outro detalhe que achei um pouco artificial, foi Danilo com a família. A impressão que deixou em alguns trechos foi de desapego com a família adotiva. Danilo poderia ter explorado mais sua convivência com os pais, pois tem muitos leitores assim como eu,  não tem nenhuma informação sobre eles.
     A capa é maravilhosa, foi por causa dela que desejei demais ler o Nada Consta e conhecer a história de Danilo. A diagramação está muito boa nas folhas brancas e contêm  algumas  fotos pessoais de Danilo com os pais adotivos e festas onde a família estava presente durante a infância.
     Danilo mostra fotos com alguns artistas como Milton Nascimento, Mano Brown e Marisa Monte. Também tem algumas cópias de documentos como certidão de nascimento, contrato de trabalho, Visto para não ser deportado e o último Atestado de Antecedentes Criminais com o nada consta no nome de Danilo Gustavo Nuha.
     Enfim, é uma leitura para leitores que gostam de conhecer histórias que mostram a realidade do ser humano que está disposto a superar os desafios da vida, mesmo que possa chocar ou surpreender e tirar alguma experiência dela. 


Livro fornecido gentilmente pela Geração Editorial
Resenha de minha autoria, publicada anteriormente no blog Doces Letras


“E se eu não tivesse ido até o final e, de língua, beijado a lona? O tempo ensina: beijar a lona com grandeza é coisa para poucos. Com derrocadas tão intensas, só perdem aqueles que nelas não se inspiram.”   
( pág. 165 )


    
    . Sobre o autor: 

      Danilo Japa Nuha nasceu no Brasil em algum momento de 1981. E ainda hoje não se sabe onde. Desde então já foi jornaleiro, balconista de bar, açougueiro, limpador de fossa, descarregador de caminhão, operário, jornalista, muambeiro, traficante, professor de história, instrutor de yôga, fiscal de concurso público, assessor de imprensa, operador de teleprompter e produtor. 



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 renata massa