12 de novembro de 2017

[ Poema ] Desafio de Leitura #12mesesdepoe – Para Annie



    Olá Pessoal!
     Tudo bem?
     Hoje eu estou trazendo o Décimo Primeiro  poema do projeto de Leitura Coletiva das Obras de Edgar Allan Poe, organizado pelo Blog da Anna Costa.
     Além da resenha do conto do mês, eu resolvi deixar no blog o poema que iremos ler para vocês também possam conhecer um pouco mais as obras de Poe.
     Espero que gostem. 




Poema de Novembro



PARA ANNIE



I
Graças a Deus! A crise, o perigo passou!
O mal languidescente
afinal se acabou.
E essa febre chamada
vida se conquistou!

II
Tristemente me sinto
das forças despojado
e músculo algum posso
mover, assim deitado.


III
Mas que importa? Prefiro
ficar assim deitado.
E em meu leito descanso,
com tamanho conforto
que, ao ver-me, poderiam
imaginar-me morto;
talvez estremecessem,
como quem olha um morto.

IV
Gemidos e lamentos,
suspiros e aflição agora se acalmaram,
com a palpitação
cruel no meu peito. Horrível
essa palpitação!

V
O mal-estar, a náusea,
a impiedosa agonia,
tudo se foi, com a febre
que a mente enlouquecia:
febre chamada vida,
que em meu cérebro ardia.


VI
De todos os tormentos, o que mais amargura
cessou: o ardor terrível
da sede que tortura,
sede do rio naftálico
da Paixão vil e impura.
Oh! eu bebi de uma a′gua
que toda a sede cura!

VII
Água que flui com um canto
que o ar de doçura inunda,
de uma fonte bem pouco
escondida e profunda,
de furna que no solo
quase não se aprofunda.

VIII
E, ah! nunca loucamente
se diga e seja aceito
que é sombrio o meu quarto
e apertado o meu leito,
pois nunca o homem descansa
em diferente leito.
Para dormir, deitai-vos
em semelhante leito.

IX
Nele, a alma supliciada
dorme, sem dolorosas
recordações, não tendo
mais saudades das rosas,
das velhas inquietudes
de seus mirtos e rosas.

X
e, aqui jazendo, o espírito,
tão calmo e satisfeito,
crê que o cerca um mais santo
odor de amor-perfeito,
odor de rosmaninho,
misto de amor-perfeito,
de malva, do belíssimo
e puro amor-perfeito.

XI
E assim feliz repousa,
mergulhado em perene
sonho de lealdade
e da beleza de Annie,
mergulhado nas ondas
das longas tranças de Annie.

XII
Ela beijou-me e, terna,
acariciar-me veio.
E eu caí, docemente,
a dormir no seu seio.

XIII
Dormi profundamente
sobre o céu de seu seio.
Cobriu-me, ao apagar-se
a luz no castiçal,
e orou para que os anjos
me livrassem do mal
e a Rainha dos anjos
me afastasse do mal.

XIV
E durmo em tal conforto,
agora no meu leito
(desse amor satisfeito)
que me acreditais morto.
E é tal o meu conforto
a repousar no leito
(seu amor no meu peito)
que me imaginais morto
e tremei, com trejeito
de quem contempla um morto.

XV
Mas o meu coração
fulge mais que a perene
luz dos astros celestes,
pois fulgura por Annie
e se abrasa na chama
do amor de minha Annie,
só pensando na chama
do olhar de minha Annie. 



    Recomendo que leiam as obras de Edgar Allan Poe, pelo menos para conhecer a escrita do autor, porque vale muito a pena. Este mês  a resenha do conto será A carta roubada   para concluir o desafio #12mesesdepoe do mês de Novembro.

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  Obrigada e volte sempre.