23 de abril de 2018

[ Resenha ] O Vilarejo | Raphael Montes


   Olá pessoal!
   Tudo bem?
   Hoje eu quero conversar com vocês sobre um livro que comprei recentemente em formato digital, porque eu estava louca de vontade de degustar e terminei desejando ele ainda em formato impresso. O Vilarejo, escrito pelo Raphael Montes e publicado pela Editora Suma de Letras é um livro de terror que tenho o prazer de apresentar em forma de resenha para vocês.


. Título original: O Vilarejo
. Autor: Raphael Montes
. Editora: Suma de Letras
. Ilustrações: Marcelo Damm
. 1ª Edição
. Páginas: 96
. Ano: 2015
. ISBN: 9788581053042
. Sinopse: Em 1589, o padre e demonologista Peter Binsfeld fez a ligação de cada um dos pecados capitais a um demônio, supostamente responsável por invocar o mal nas pessoas. É a partir daí que Raphael Montes cria sete histórias situadas em um vilarejo isolado, apresentando a lenta degradação dos moradores do lugar, e pouco a pouco o próprio vilarejo vai sendo dizimado, maculado pela neve e pela fome. As histórias podem ser lidas em qualquer ordem, sem prejuízo de sua compreensão, mas se relacionam de maneira complexa, de modo que ao término da leitura as narrativas convergem para uma única e surpreendente conclusão.



Impressionante!

    O Vilarejo é um livro de contos baseados nos sete pecados capitais. Eu confesso que fiquei eufórica durante a leitura, porque sou apaixonada por histórias macabras e bizarras, mas não imaginava  que iria gostar tanto do livro. 

    Nas primeiras páginas do livro, o próprio Raphael Montes conta que recebeu uma ligação do Maurício Gouveia, um sócio do sebo Baratos da Ribeiro, em Copacabana no Rio de Janeiro. Maurício havia adquirido uma coleção gigantesca de livros de uma senhora chamada Elfrida Pimminstoffer que havia falecido e entre os livros tinha três cadernos muito finos, com capas de couro, textos escritos e ilustrados à mão em língua estrangeira conhecida como cimério. 

    Ana, a bisneta de Elfrida, que havia vendido os livros para o sebo, não queria os cadernos de volta e Maurício estava convidando Raphael para analisar os manuscritos da Senhora Elfrida Pimminstoffer e através da tradução, Raphael conseguiu associar cada capítulo dos manuscritos com os Sete Reis do Inferno, Asmodeus ( luxúria ), Belzebu ( gula ), Mammon ( ganância ), Belphegor ( preguiça ), Satan ( ira ), Leviathan ( inveja ) e Lúcifer ( soberba ). 

    Todas as sete histórias se passam no vilarejo, lugar escondido que estava assolado pela fome, muito frio e para piorar a situação, numa época de guerra. Cada conto possui um conteúdo de gira em torno de um desses demônios, que são responsáveis por invocar um pecado capital nos seres humanos e  mostrando como as pessoas podem ser más. Os personagens foram asquerosos em benefício próprio.

   Na primeira história, Banquete para Anatone, a personagem Felika era mãe de três crianças. Ela e os filhos estavam passando muita fome e enfrentando um frio insuportável no vilarejo. O marido Anatone, havia saído para caçar algum animal para eles não morrerem de fome.  Após dois meses fora de casa, Anatone retornar para casa muito feliz por ter conseguido alguns animais para matar a fome da esposa e os filhos. Contudo quando o marido entrou dentro de casa, encontrou uma cena bizarra que deixou Anatone totalmente chocado. 

   As histórias seguintes continuam da mesma forma, mostrando os fatos ocorridos na vizinhança. Sempre surpreendendo e deixando  minha mente desassossegada. Todos os contos foram favoritos e não consegui destacar o melhor entre eles. A escrita do Raphael é muito elegante, prendendo com facilidade e conduzindo o  leitor juntamente com os personagens em cada detalhe com muita clareza. 

    Cada história é entrelaçada e abordada de forma criativa, bem costurada e para leitores mais sensíveis será uma leitura meio pesada e  nojenta. No entanto, o mais legal disso tudo, além dos pecados capitais, o livro também aborda assuntos como loucura, doenças, preconceitos e prostituição.  São temas pesados e fortes que faz parte da nossa sociedade. 

    O único defeito do livro é porque ele é muito curto. Li no final de semana e mesmo assim, porque precisava fazer várias pausas para os compromissos, fazer almoço, preparar um lanche para os filhos e marido. Se não fosse  as pausas teria terminado o livro em poucas horas.  O conteúdo é impressionante! 

    Entretanto foi uma estreia maravilhosa com a escrita do Raphael.  Quero ler tudo que esse cara escreve. Ele conquistou mais uma fã, porque o livro dele é para quem realmente gosta de terror e cobiça tê-lo na estante para relê-lo novamente sempre que desejar. Por isso eu desejo conquistar a edição impressa. 

    As ilustrações são incríveis e foram criadas pelo Marcelo Damm. Durante a leitura, fiquei imaginando como deve ser uma edição maravilhosa para ter em mãos, pois cada ilustração é surpreendente e ajuda bastante no clima da história. Não vou comentar sobre a diagramação, porque li em formato digital, mas como uma edição tão caprichada, provavelmente, a diagramação e todos trabalho gráfico esteja impecável. 

   Eu acho que o medo é relativo para cada leitor, contudo aconselho e recomendo a leitura para aqueles leitores que realmente apreciam  histórias de terror. Se você contém uma mente que não abala facilmente e tem um estômago forte conheça O Vilarejo, pois vale muito a pena.


"O vilarejo vem sendo dizimado a cada dia. As mortes são frequentes e o luto se sentou à mesa. Ninguém chora os mortos. Não podem desperdiçar energia lamentando a partida dos que não suportaram o frio e a fome." 
 



  Sobre o autor:
  Raphael Montes nasceu em 1990, no Rio de Janeiro. Escreveu os romances Suicidas, Dias Perfeitos, O Vilarejo e Jantar Secreto, todos sucesso de público e de crítica, traduzido em mais de 20 países e com os direitos de adaptação vendidos para o cinema. Atualmente, Raphael assina uma coluna semanal em O GLOBO, apresenta um programa de literatura na TV Brasil, o Trilha de Letras, e escreve roteiros para cinema e para TV.

  Já leram O Vilarejo?
  Tem interesse em lê-lo?
  Então deixa sua opinião nos comentários. Vou adorar conhecê-la.